Eis que chegamos ao aguardado momento: o julgamento que pode transformar Bolsonaro em réu está marcado para o dia 25 de março.
É quase um episódio de série ruim da Netflix. Todo mundo já sabe o que vai acontecer, mas assiste mesmo assim.
O roteiro?
Denúncia de tentativa de golpe.
STF analisando se aceita ou não a acusação.
Militantes bolsonaristas fingindo surpresa, como se essa novela não tivesse começado há anos.
E no centro disso tudo, Jair Bolsonaro, o homem que tentou um golpe e nem para isso teve competência.
O reality show da impunidade
O que está em jogo aqui não é só a decisão do STF, mas o espetáculo que vem junto.
Os bolsonaristas já estão prontos para gritar “perseguição política”.
A oposição já preparou o estoque de memes.
Os ministros do STF vão caprichar no vocabulário jurídico só para dar aquele tom de grandeza histórica.
Enquanto isso, Bolsonaro faz o que sempre fez de melhor: posa de injustiçado e espera para ver se a Justiça vai realmente funcionar dessa vez.
Se tudo der certo, ainda vai dar errado
Se Bolsonaro virar réu, ele entra para a ilustre galeria de ex-presidentes processados, que no Brasil já tem fila de espera.
Se não virar? Segue a vida como líder de uma direita que tem a organização de um churrasco de última hora.
E, no fim, tudo se resume à velha máxima da política brasileira:
Se não deu golpe, tentou.
Se tentou, não deu certo.
Se não deu certo, se diz perseguido.
No dia 25 de março, o STF julga Bolsonaro. Mas o Brasil já sabe: a Justiça pode até ser cega, mas a gente enxerga o circo armado de longe.