Lembra quando ir ao médico era simples? Você chegava com uma dor, o médico te olhava com aquela cara de quem já viu aquilo mil vezes, rabiscava uma receita, e pronto. Simples, direto, sem firulas.
Mas não, isso era coisa do passado. Agora, temos protocolos.
Não basta mais ter gastrite, você precisa embarcar numa jornada multidisciplinar de autoconhecimento gastrointestinal.
Segundo essa metodologia revolucionária, um único médico não basta. Você vai precisar de um gastroenterologista, um nutricionista e, claro, um acupunturista para te espetar umas agulhas enquanto você tenta entender por que o seu estômago te odeia.
Porque, aparentemente, tratar um problema de saúde sem transformar isso em um combo promocional de serviços virou coisa do passado.
O protocolo da felicidade (e do faturamento extra)
O conceito é lindo no papel: um sistema que não só trata, mas previne e acompanha o paciente ao longo da vida.
Mas a pergunta é: isso está sendo feito porque realmente melhora a vida das pessoas ou porque é um jeito eficiente de aumentar o ticket médio das clínicas?
Porque, convenhamos, a indústria da saúde aprendeu direitinho com os planos de assinatura.
✔ Antes, você pagava por um tratamento.
✔ Agora, você entra num “ciclo de cuidado contínuo”.
✔ O objetivo? Garantir que você nunca saia do radar.
O protocolo vem com um passo a passo bonitinho:
1️⃣ Identificação: Exames, consultas, talvez um mapa astral para entender seu karma gástrico.
2️⃣ Tratamento: Medicamentos, terapias, um floral de Bach porque vai que ajuda.
3️⃣ Mudança de hábito: Alguém para te lembrar que comer pastel de feira e reclamar da gastrite não é um estilo de vida sustentável.
4️⃣ Manutenção: Agora que você já gastou uma grana, por que não continuar pagando para garantir que o problema não volte?
E se você acha que o protocolo é caro, não se preocupe!
Eles te explicam com carinho usando a clássica técnica do “riscar o preço original e mostrar o desconto”.
Porque nada diz “estamos preocupados com a sua saúde” como um vendedor aplicando técnicas de ancoragem de preços que você normalmente veria numa loja de colchões.
Saúde ou estratégia comercial?
A proposta de oferecer um tratamento mais amplo faz sentido. Cuidar do corpo como um todo é importante.
Mas o problema não é a ideia. O problema é a execução.
O que começa como um sistema de atendimento mais completo pode facilmente virar uma máquina de faturamento mascarada de “preocupação com o paciente”.
E se antes você saía do consultório com uma receita, agora você sai com um plano de saúde não oficial, um cronograma de tratamentos e um leve pânico financeiro.
Mas ei, pelo menos agora a sua gastrite vai ter acompanhamento VIP.
Se você quiser pagar o pacote, é claro.